sábado, 12 de fevereiro de 2011

Terror de passear com múltiplos

Tem uma coisa que faz um tormento passear com gêmeos. Imagino que, com múltiplos de maior ordem deve ser ainda pior.

Não é que a gente, como mãe e pai, não queira atenções para nossos filhos. Mas é muito diferente alguém elogiar nosso bebê daquilo que acontece quando as pessoas abrem a boca embasbacadas e te apontam como um animal no zoológico.

Uma vez vi um cara alto no programa do Jô Soares. Muito alto. Ele disse que as pessoas olham pra ele e dizem: "como você é alto!" e ele fica pensando: "ora, eu SEI!". Da mesma forma, eu SEI que meus filhos são gêmeos! Não preciso que me digam.

Se você quer ser educado com pais de gêmeos, não vá dizer pra eles que os filhos deles são gêmeos. Eles sabem. Não precisa perguntar e fazer comentários sobre o sexo (são dois meninos, duas meninas, um casal e isso é mais raro ou mais maravilhoso). Especialmente, NÃO PARE NA FRENTE DO CARRINHO PRA FORÇAR OS PAIS A PARAREM PRA VOCÊ OLHAR OS NENÊS. Os pais podem estar com pressa pra trocar fraldas, dar mamá, fazer dormir ou apenas passear porque o tempo é curto!

Se você quer ser educado com pais de múltiplos, faça como qualquer pessoa que quer ser educada com pais de bebês: elogie. Elogie O BEBÊ! Elogie um, elogie o outro... DEPOIS estabeleça uma conversa e deixe eles falarem sobre serem gêmeos. Se houver abertura, faça as suas perguntas. Mas se o papai e a mamãe estiverem apressados ou apenas sorrirem e seguirem adiante, deixe. Certamente aquele é um momento raro, rápido e precioso para eles.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Saindo pra passear pela primeira vez, que alívio, que medo...

Sair pela primeira vez com um bebê pode ser ao mesmo tempo um grande alívio, de se ver finalmente com novos horizontes, fora das paredes do ninho, especialmente se você ficou em repouso absoluto no final da gravidez de múltiplos, e também um grande desafio!

Os múltiplos nascem pequenos, algumas vezes prematuros, e você pode ter passado muito tempo tentando ter filhos. Além disso, são dois (ou mais)! Então, como expor aquelas suas jóias preciosas?

Bom, navegar é preciso! Se você não começar, nunca vai conseguir! O show tem que continuar! Tudo que necessita, é o primeiro passo...

Aconselho ir a um lugar muito conhecido do casal, com amigos que gostem de crianças e tenham familiaridade, confiança e disponibilidade para ajudar e tranquilizar a mamãe e o papai. Se possível, evitar as vovós nesse primeiro passeio: são muito críticas.

Um lugar aberto, mas protegido do sol direto, do vento e da chuva. Um lugar que não tenha muito movimento, que tenha boas instalações para descanso, amamentação e troca de fraldas (amigos que têm filhos pequenos podem dar indicações).

Ao ver meus filhos pequeninos expostos aos perigos do mundo, eu tinha a sensação de ter cuspido meu coração e partido em dois (com faca de serrinha). Evidentemente a primeira saída foi cheia de ansiedades. Mas, ah! que delícia sair da prisão!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Bebês choram II - O que fazer

Todos com quem falo dizem que tenho bebês "bonzinhos".  Não que eles não tenham seus momentos difíceis, mas em geral eles são muito razoáveis.  Eu parto do princípio que eles choram sempre por alguma coisa.  Às vezes a gente não sabe o que é, mas algo está acontecendo.  Aqui vai uma lista do que faz meus bebês chorarem, como descobrir se é por esse motivo e o que fazer na situação:

1) Fome;
      Pelo horário, você sabe que o choro é de fome.  Acho extremamente importante não interpretar todo o choro como sendo fome, ou os bebês não vão ter tempo de fazer a digestão.  Essa é uma das lições que aprendi com o livro Nana Nenê, do Gary Ezzo, e tem funcionado para mim.  Os meus bebês mamam em intervalos regulares, de 3 a 4 horas, e dormem antes de mamar (e não depois).  Eles acordam, em geral bem humorados, e muitas vezes demonstram a fome de outras formas, balançando os bracinhos, as perninhas, chupando forte o bico, antes de começar a chorar.  Claro que, ao ver a mamadeira pronta, dão uma choradinha pra garantir, vai entender!
2) Sono;
      Também é o horário que dá a dica, além deles esfregarem os olhinhos e ficarem irritados.  Já me aconteceu de deixar eles com meu marido, que recém havia chegado em casa e não sabia quando eles haviam mamado, e ele confundir choro de sono com de fome.  Quando vi, a criança gritava com a mamadeira na boca, pobrezinha!  Por esse motivo, passei a colocar os horários das mamadas no quadro de avisos, e deixei toda a equipe sabendo que, uma hora antes, devem colocar eles pra dormir.  Eles só começaram a chorar de sono recentemente, depois dos três meses.  Antes, simplesmente dormiam.
3) Fralda cheia;
      Essa parece fácil de saber, mas nem sempre é de cocô.  O menino reclama muito de fralda cheia de xixi, odeia mesmo.  E faz um chorinho sentido... dá dó.  É só levar ele pra trocar e ele já para antes mesmo da gente deitar ele.  E se você vira pra o outro lado, começa a chorar de novo.  Ele sabe se expressar!
4) Arroto;
      Às vezes é só antes de dar o arroto mesmo, às vezes fica chorando um tempão e eu caçando o que é.  Freqüentemente a vontade de arrotar é precedida de uns barulhinhos bem característicos, tipo um arrulho de pomba, e eles balançam os bracinhos e perninhas.  Se a gente não atende, eles golfam ou vomitam.  É só pegar eles no colo, bem em pé, e eles arrotam.  Muitas vezes temos que ficar bastante tempo com eles assim.
5) Gases.
      Quando tudo mais falhar, são gases.  A menina tem mais.  E é só colocar eles deitados sobre a perna, a cabeça deles apoiada em meu joelho, as pernas na minha barriga, e começar a fazer o exercício e a massagem de peidar.  Quando estão de barriga cheia, eles podem golfar com isso, então tem que se escolher o mal menor...

Outras coisas podem fazer também os meus nenês chorarem, como um ambiente muito barulhento, ou excessivamente silencioso.  Quando eles querem atenção para brincar.  Notei que eles também ficam nervosos, e podem até chorar, se são separados, especialmente se não estou junto e se isso acontece em um ambiente muito diferente.

O difícil é atender dois ao mesmo tempo.  Mesmo quando você tem apoio, é difícil, porque a outra pessoa não é mãe.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Dormindo como um bebê - posição

Quando eles são pequeninos, meio que dormem sempre que têm sono.  Apenas mais tarde começam a ficar mais exigentes com como e onde dormem.  De qualquer forma, múltiplos em geral nascem bem pequenos e sem a camada de gordura que protege o nenê da perda de calor.  Por isso, eles estavam sempre geladinhos, e a gente os enrolava para dormir.  Fizemos isso até perceber que estavam suando quando dormiam enrolados, então passamos a apenas cobri-los com lençol e manta.  Isso exigiu que enfrentássemos o medo de que passassem frio e reconhecer que estavam se desenvolvendo.

Nessa altura eles ainda dormiam em qualquer lugar e de qualquer jeito quando o sono chegava.

Mas o bebê vai crescendo e passa a ficar mais tempo acordado.  Então você quer colocar ele a dormir.  Nesse momento você vai ter que testar como seu bebê dorme melhor.  Ou, pelo menos, como ele cai no sono mais rápido, porque você tem outro bebê pra atender!

Ela só dorme assim
Não sou avessa ao Objeto Transicional (clique para ver o conceito do Winnicott na Wikipedia).  Coloco um paninho de boca, mas pode ser um brinquedinho de pano ou qualquer coisa mole e agradável que o bebê possa ter perto do seu rosto, passar no seu nariz, ou algo assim.

Também coloco a chupeta (o bico, como chamamos no sul), porque me convenceram que é melhor do que chuparem os dedos.

Viro o bebê de lado, com um apoio para as costas.  Aliás, os dentistas agradecem, criar o hábito de dormir de lado pode diminuir as chances de desenvolver bruxismo e outros comportamentos que afetam os dentes.

Coloco, ainda uma almofada na barriga.  Sempre é bom um calorzinho e uma pressão na barriga para dormir.

E acho interessante cobrir o bebê.  Minha mãe fazia isso comigo, e eu acho aconchegante dormir coberta, mesmo que seja por um lençol.  Então repito com meus filhos.

Pegando a estrada, não há quem não durma...
E, se tudo mais der errado, coloque eles no carro e vá dar uma volta.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Bebês choram.

Sim, bebês choram!

E múltiplos nem sempre podem ser atendidos imediatamente.  Cada dia passo uma ou duas vezes pela situação de os dois estarem precisando de atenção ao mesmo tempo e só ter eu pra resolver.

É preciso ter tranqüilidade.  A gente tende a ficar mais desesperada do que o próprio bebê quando eles choram.  A primeira coisa que me digo é que, se estão chorando, estão vivos, e isso já é um bom começo.

O segundo passo é parar e pensar.  Qual está chorando por quê; qual pode ser atendido mais rápido ou precisa de apoio mais imediato; qual está mais seguro.

Acho hilário quando ponho os dois pra dormir.  Em geral, quatro vezes por dia, duas de manhã, uma à tarde e uma à noite (quando dormem até o dia seguinte, ainda bem).  Corro em um berço e seguro um deles até que fique sonolento, aí corro até o outro berço e faço o mesmo com o outro nenê.  Nessa altura, o primeiro já perdeu o bico e começou a choramingar, aí volto pro berço dele, enquanto o que foi atendido por segundo começa a choramingar por sua vez.  Por que não ponho os dois juntos no mesmo berço pra adormecerem?  Hum, vou tentar...

Você se sente a própria Crueldade quando se dá conta que tem muito mais tolerância ao choro deles do que as pessoas à sua volta.  Mas é fácil (depois de um certo tempo) distinguir entre aquele choro que é de dor ou medo, que precisa de atendimento imediato, daquele choro que pode esperar mais um pouco.

Meu marido é engraçado.  Depois de um fim-de-semana ou feriado, ele está levando na esportiva.  Aí passa uma semana trabalhando, chega pouco em casa, atende os nenês na madrugada apenas (e eles praticamente não mamam mais à noite).  Quando começa o próximo fim-de-semana ou feriado, ele fica uma pilha cada vez que um chora.  E daí, dá mamadeira quando eles choram de sono, ou tenta aquecer eles quando o soluço é por causa da fralda molhada...

Enfim, parar e pensar às vezes é mais fácil e menos cruel.  E levar na esportiva absolutamente necessário.

Mamadeira para dois, ou como arrotar dois ao mesmo tempo.

Sim! É possível!

E não apenas é possível, como todo o dia, de manhã, ainda tomo meu café enquanto dou de mamá.

Há várias dicas, na internet, sobre como amamentar gêmeos no peito.  E nisso não tenho experiência.  Quando fiz, precisei do auxílio de alguém porque eles ainda estavam muito pequenininhos.

Dar mamadeira para um e peito para outro pode ser desafiador.  Mas taí a foto.

Mamadeira para dois ao mesmo tempo!




 E dar a mamadeira para os dois ao mesmo tempo, faço todos os dias.  Comecei por ver o filme do Jerry Lewis, "Bancando a Ama-Seca".  Não uso luva de borracha, contudo, hehehe.



Confira ainda esses vídeos que achei na Internet:

Dar mamadeira para gêmeos (não é meu jeito predileto, eu coloco eles no sofá juntinhos, parece que se estimulam para mamar e gostam da companhia um do outro).

Fazer arrotar gêmeos (essa é boa mesmo, pra mim foi a parte mais desafiadora até achar esse vídeo).
E com uma mão só!!

domingo, 14 de novembro de 2010

Que blog é esse?

Muita gente me pede opinião. E como sou mesmo opiniática, eu dou! Às vezes até sem as pessoas pedirem ;) Daí me chamam de cabeção, sabe-tudo, enciclopédia... Pra falar a verdade, o que tenho é convicção. Erro e acerto como todo mundo, mas com muita convicção. Adianta? Que nada! Mas dá vontade de compartilhar essas convicções.

Também dizem que penso muito sobre as coisas. Eu testo, vejo se funciona, testo outra coisa. Meu marido dá sua contribuição, ele sempre tem uma sugestão ainda mais absurda, e eu testo mais essa e vejo se funciona. Daí, talvez, dê pra contribuir com alguém que esteja precisando de uma idéia nova...

E eu gosto de fuçar nos livros e na Internet. Estou sempre caçando coisas interessantes. Então posso postar aqui e ter como referência para mim mesma ou para você, leitora ou leitor desconhecido.

Além disso, desde que nasceram os gêmeos, as pessoas me pedem ainda mais opiniões. Li que isso é comum, no livro "Criando Filhos Gêmeos", da Patricia Maxwell Malstrom e da Janet Poland. De repente a mãe de gêmeos vira uma "mãe experiente", uma referência pra qual as outras mães vem pedir opinião, mesmo que ela seja mãe de primeira viajem, como eu. Então vão aqui minhas experiências, pra quem interessar possa.

Apenas pra deixar documentado, vou chamar nossos filhos, nesse blog, de Luke e Lea (nem dá pra ver que sou fã de uma certa série famosa de FC/Fantasia, né? Mas não vou chamar meu marido nem de Darth nem de Anakim, hehehe).


Resumindo, porque fazer esse blog, é o seguinte:
1) Pra satisfazer a vontade de dar opinião;
2) Pra oferecer novas idéias;
3) Pra documentar referências;
4) Pra compartilhar experiências.

Bem vindo, leitora ou leitor desconhecido. Faça bom proveito.